quinta-feira, 21 de junho de 2012

COVEIRO - MOR


 Foto: Internet

Se Camões fosse vivo escreveria assim...

I
   
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!


II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!
  
III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

  IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!


      Luiz Vaz Sem Tostões






4 comentários:

Marilu disse...

Querido amigo, infelizmente estamos nas mãos de pessoas que nos mesmos elegemos. É triste. Beijocas

Silvia Mota Lopes disse...

Essa está boa:)
beijinhos haja saúde!:)

Maria Emilia Moreira disse...

Olá grande poeta!! Que inspiração extraordinária.
Um abraço.
M. Emília

Gaspar de Jesus disse...

MARILU
SÍLVIA
MARIA EMÍLIA
Muito obrigado pelo carinho.
G.J.

5ª TERTÚLIA A 02 DE JULHO

5ª TERTÚLIA A 02 DE JULHO
COM A ARTE NO OLHAR